1º Fórum de Mobilidade para Santo Amaro discute projetos de transporte público na zona sul
No dia 5 de maio, o Comitê Técnico de Política Urbana Distrital Santo Amaro da Associação Comercial de São Paulo, em parceria com a OAB e o CRECI, realizou a segunda etapa do primeiro Fórum de Mobilidade para Santo Amaro. O evento ocorreu no auditório da Distrital e reuniu os principais órgãos repensáveis pelo desenvolvimento viário e de transportes da cidade de São Paulo, que apresentaram e discutiram seus planos e projetos para a zona sul.
O tema central foram os diversos projetos de transporte público na zona sul, entre eles a expansão da Linha 5 – Lilás do Metrô, a Linha 17 Ouro, o projeto de um monotrilho e o corredor da M’Boi Mirim.
Participaram do evento Paulo Ferragi, da EMTU; Luciano Ferreira da Luz, da CPTM; Epaminondas Duarte Jr., do Metrô e Hughson Paiva de Castro, da SPTrans. Como debatedores, o arquiteto, urbanista e professor da FAU/USP, João Méier e Marcos Kiyoto, arquiteto e mestrando em planejamento urbano pela FAU/USP.
O Gerente de Planejamento de Transporte da CPTM, Luciano Ferreira da Luz, discorreu sobre os projetos de expansão da Linha 9-Esmeralda, com a construção das estações Mendes (Estrada dos Mendes) e Varginha, próxima ao Terminal, chegando em 2014 atendendo 3,7 milhões de passageiros por dia. Até o final do mês também haverá a integração da Linha 9 com a estação Pinheiros da Linha 4 – Amarela do Metrô, inaugurada no dia 16/05.
Também para 2014 está prevista a inauguração de uma nova parada, entre as estações Granja Julieta e Santo Amaro, que será denominada Estação João Dias e servirá de ponto de apoio a um grande empreendimento que será construído no terreno da Giroflex. A previsão é de atender uma demanda de 12 mil passageiros por dia.
O engenheiro Epaminondas Duarte Jr., do Metrô, apresentou um projeto – ainda em estudo – de expandir a Linha 5 até o Jardim Ângela, construindo uma estação em frente ao Hospital do M’Boi Mirim. Sobre a Linha 17 – Ouro, que está em processo de licenciamento ambiental, o engenheiro falou sobre os problemas e discussões que ocorrem com moradores da região. O projeto está passando por nova análise e ainda este mês deve passar pela aprovação da Secretaria do Verde e Meio Ambiente. Entretanto, há uma liminar na justiça que impede o Metrô de dar prosseguimento na linha.
Pela SPTrans, o engenheiro Hughson Paiva de Castro detalhou os projetos previstos para a zona sul, como a requalificação do Corredor M’Boi Mirim / Guarapiranga, hoje saturado, e que atualmente atende 450 mil passageiros por dia com uma frota de 350 ônibus por hora que passam pelo corredor. A proposta é reduzir a sobreposição de itinerários, integrar e reduzir as linhas e o número de ônibus que circulam pelo corredor. Também estão previstos o redimensionamento de paradas, reposicionamento de travessia de pedestres, alteração de circulação viária e integrar as linhas que utilizam os Terminais Jardim Ângela, Guarapiranga, Guido Caloi criando a Parada Ponte Estaiada, na Estação Santo Amaro da Linha 5 do Metrô, num sistema de integração tarifária gratuita.
Outro projeto apresentado foi sobre o monotrilho do M’Boi Mirim, que ligará Santo Amaro ao Jardim Ângela, num grande terminal intermodal que será construído em frente ao Hospital do M’Boi Mirim. O projeto prevê a integração do monotrilho com a Linha 4 – Amarela pela estação Vila Sônia; com a Linha 5 – Lilás pela estação Capão Redondo; com a Linha 9 da CPTM na estação Vila Olímpia, passando pela Av. Eng. Luis Carlos Berrini no terminal Água Espraiada e pela futura Linha 17 – Ouro.
Também estão previstas obras de prolongamento da Avenida Carlos Caldeira Filho até o Jardim Ângela, a implantação do corredor na Berrini, construção do novo Terminal Parelheiros, na Av. Sadamo Inoue, alargamento da Av. Belmira Marin e o estudo de uma ligação hidroviária pela Represa de Guarapiranga de Cocaia a Pedreira, onde seria construído um terminal.
O debatedor Marcos Kiyoto, arquiteto e mestrando em planejamento urbano pela FAU/USP, observou que de todos os projetos de monotrilhos que já analisou os dois melhores são o da Linha 17 – Ouro e o do M’Boi Mirim pela grande quantidade de conexões existentes oferecendo diversas opções para o passageiro entre metrô, trem ou ônibus. Porém, ressaltou que a intermodalidade é boa quando há racionalidade, hoje ela é forçada. “Se o passageiro puder escolher utilizar um só meio de transporte, sem baldeações ou conexões, com certeza ele irá preferir”.
Segundo o arquiteto, urbanista e professor da FAU/USP, João Méier, um fatores que agravam o problema do transporte público é a tendência atual de adensamento ocupacional em áreas periféricas da cidade, com pouca infra-estrutura, impactando ainda mais o trânsito.