Autódromo de Interlagos completa 70 anos com segurança e modernidade

Atualidades | 14/05/2010

O principal palco do automobilismo brasileiro completou 70 anos no dia 12/05 com uma grande festa. A administração municipal e a São Paulo Turismo (SPTuris) lançaram o  “Anuário Interlagos 2010 – 70 anos de velocidade”, escrito pelo jornalista Fabio Seixas e editado pela Public Projetos Editoriais. A publicação tem 180 páginas, distribuição gratuita e tiragem de 10 mil exemplares. Também houve o lançamento do “Pé Pesado da Fama”, do Museu do Troféu e das exposições de carros GT3, Stock Car, carros antigos e de caminhões da Fórmula Truck.

Desde 12 de maio de 1940, quando foi inaugurado, o Autódromo de Interlagos se transformou. Virou referência no esporte a motor mundial. Sete décadas se passaram, mas o charme e a modernidade do circuito paulistano nunca estiveram tão evidentes.

Nomes como Emerson Fittipaldi, Jackie Stewart, Carlos Reutemann, Alain Prost, Ayrton Senna, Michael Schumacher e Felipe Massa fizeram história em bólidos de Fórmula 1 sobre as pistas do circuito paulistano. Na Stock Car, veio o maior vencedor do autódromo: Ingo Hoffmann, com 26 triunfos. Além dessas, o circuito já recebeu provas de Fórmula Truck, MotoGP, FIA GT e endurance, como as Mil Milhas Brasileiras, entre tantas outras.

Mas toda essa abrangência de categorias no Autódromo José Carlos Pace (nome oficial do circuito) vem no vácuo da Fórmula 1. A categoria máxima do automobilismo realiza o GP do Brasil de forma ininterrupta no circuito paulistano desde 1990. E assim será até 2015, quando termina o contrato firmado entre a Formula One Management (FOM), a dona dos direitos da F-1, e a Prefeitura de São Paulo.

Na inauguração, o autódromo contava com pista de terra

Foi num 12 de maio de 1940 que a primeira corrida oficial aconteceu em Interlagos. Era um sonho que o engenheiro britânico Louis Romero Sanson viu ser concretizado após quase 20 anos. Em meados da década de 1920, Sanson planejou a construção de um resort entre as represas Guarapiranga e Billings.

Além de casas, o local também teria centros de lazer e um ginásio esportivo. O plano ia bem até estourar a crise de 1929, nos Estados Unidos, e a revolução de 1932 em São Paulo. Sem dinheiro, o projeto esfriou e só passou a ganhar força no meio da década seguinte. E isso graças ao sucesso que as corridas de automóveis passaram a obter no País (principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo).

Em uma festiva e aguardada tarde do dia 12 de maio de 1940, finalmente o autódromo foi inaugurado, com a disputa de uma prova preliminar entre motocicletas, e o Grande Prêmio São Paulo. Não havia pavimentação, e o chão era de terra batida. Apesar da cobrança de ingressos, só pagava quem realmente quisesse, já que o entorno do autódromo, bastante amplo, era delimitado apenas por uma cerca de arame farpado, oferecendo a possibilidade de entrar por entre os seus largos vãos.

Chico Rosa: uma vida dedicada ao autódromo

O nome de Chico Rosa se confunde com Interlagos. Ele é o atual administrador do Autódromo José Carlos Pace. Desde 1975, trabalha para a melhoria do circuito paulistano. Conhecedor de cada detalhe dos 4.309 metros do traçado, Rosa pode ser considerado um dos principais responsáveis pela transformação de Interlagos numa referência internacional.

Coube a ele negociar o retorno da Fórmula 1 a São Paulo. Foi enviado a Mônaco para negociar a ida do GP do Brasil para Interlagos. “Precisávamos trazer a Fórmula 1 para a Capital. Em maio de 1989, fui para Montecarlo para conversar com o Bernie (Ecclestone, promotor da categoria) com essa missão”, recorda.

Ecclestone acenou positivamente para a proposta levada por Rosa. O GP do Brasil voltaria para São Paulo. Contudo, ele teria apenas 10 meses para transformar Interlagos num autódromo capaz de receber a Fórmula 1. Missão impossível? Para ele, não.

“Fizemos tudo num ritmo maluco. Tivemos de diminuir o circuito. Trabalhamos muito, foi algo incrível”, comenta Rosa, que recorda do momento mais difícil. “Fazer o aterro do S do Senna foi muito complicado”.

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