Construção de prédios no Itaim Bibi pode causar colapso no trânsito
A possível chegada de novos empreendimentos imobiliários no bairro do Itaim Bibi impactará de maneira irreversível o trânsito nas ruas da região. É o que aponta a presidente do Movimento Defenda São Paulo, Lucila Lacreta, com base em estudos realizados pela subprefeitura de Pinheiros.
A preocupação surge pelo fato de a Prefeitura de São Paulo estar interessada em alienar o quarteirão formado pelas ruas Horácio Láfer, Cojuba, Lopes Neto e Salvador Cardoso, onde funcionam oito equipamentos, entre escolas e creches públicas, uma biblioteca municipal, um teatro e uma sede da APAE. O terreno é de propriedade da prefeitura e passaria às mãos da iniciativa privada para construção de quatro torres residenciais e uma para abrigar as instalações que atualmente ocupam a área. A exceção fica por conta da APAE que seria transferida para outros locais da cidade.
Estas quatro torres gerariam um impacto em todo o trânsito da Região. O estudo realizado por um Grupo de Trabalho de Revisão do Plano Diretor e do Plano Regional de Pinheiros instaurado pela Subprefeitura de Pinheiros mostra que um aumento de 200 veículos na frota da região ao mesmo tempo diminui em 10% a velocidade média no local. Em 2008, quando foi realizado o estudo, a velocidade média era de 30 km/h.
Segundo estudos da Escopo Geomarketing + Pesquisa de Mercado, o bairro do Itaim Bibi é o bairro que mais emplaca carros na cidade. No ano passado, foram emplacados 17.012 veículos. A construção de novos prédios aceleraria ainda mais este crescimento, criando, no ponto de vista de Lacreta, grandes transtornos aos moradores e aos transeuntes do Itaim Bibi.
A urbanista ainda ressalta que o quarteirão em questão cumpre o papel de atendimento à população local e que a iniciativa privada não supre as necessidades públicas, devendo, assim, a Prefeitura manter as áreas sob sua responsabilidade. Ela atribui a solução de privatizar ao fato de a prefeitura não entender a cidade como um organismo único em que devem haver vários sistemas integrados nas diversas funções, ocasionando situações nas quais prevalecem os interesses privados sobre os públicos. Lacreta lembra que “não há limites para a fome imobiliária” e que o gerenciamento desta “fome” cabe à prefeitura, buscando equilibrar os diversos interesses da sociedade.