A importância da educação

Imóveis | 8/10/2010

* Benjamin Ribeiro da Silva

“Retratos da Sociedade Brasileira: Educação”, é o tema da pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Ibope. Os dados apontam que 61% da população brasileira reconhece a educação como fator essencial para o desenvolvimento do país. A pesquisa entrevistou mais de dois mil eleitores, com idade entre 16 e 70 anos, em 140 municípios brasileiros – apenas os estados do Acre, Amapá e Roraima não foram visitados. Os números só confirmam o que tenho afirmado nestes últimos anos: só com a educação formaremos a base para desenvolver o país.

A pesquisa mostra que o ensino particular é considerado melhor que o público em todos os níveis – Fundamental, Médio e Superior. A avaliação também confirma a nossa tese, pois para a maioria da população brasileira, nenhum dos níveis da educação pública prepara bem os alunos para o nível subsequente ou para o mercado de trabalho porque, para 40% dos entrevistados, os alunos são razoavelmente preparados. Além dos problemas detectados com o ensino, o item segurança nas escolas públicas é preocupante. Para o responsável pela pesquisa, o economista Rafael Lucchesi, há uma altíssima correlação entre os níveis de educação e a renda. É uma das razões atribuídas por 41% dos entrevistados em relação à qualidade do ensino e a baixa participação dos pais na vida escolar.

Os dados da pesquisa mostram também porque o Brasil está sempre muito abaixo de outros países na comparação sobre qualidade. Na Finlândia, por exemplo, o ensino básico é altamente valorizado e atribuído um destaque muito grande para o ensino profissionalizante. Razão disso, 90% dos entrevistados no Brasil acreditam que a oferta de ensino técnico é importante.

Por outro lado, levantamento realizado pela Fundação Abrinq mostra que 80% das crianças de zero a três anos estão fora das creches. Os números estão bem acima dos 50% planejados para 2011 pelo Plano Nacional de Educação. Em 2008 esses índices atingiam 81,9%, demonstrando que avançamos muito pouco nesse setor.

Segundo notícia publicada pelo jornal “O Estado de S.Paulo”, a oferta de vagas nas creches é a chave do problema, pois a lei não obriga que as crianças estejam matriculadas. O ensino obrigatório vai dos quatro aos 17 anos, cabendo aos pais a decisão e, segundo especialistas, a falta de recursos ainda é um grave problema.

Por fim, quero ressaltar que uma das minhas grandes preocupações é o estimulo ao ensino básico. É nessa idade que acontece o desenvolvimento da criança, principalmente na Educação Infantil, pois acredito que o grande problema da má qualidade da educação pública brasileira é a falta de investimento nesse setor.

Está provado cientificamente que essa fase da criança é decisiva para toda sua formação escolar e intelectual, portanto todo centavo investido nesse período retorna, com certeza, para a sociedade, que se beneficia com a formação de melhores cidadãos, bem como na diminuição da dependência da ajuda estatal e na redução nos índices de criminalidade.

A experiência adquirida pela escola particular poderia ajudar em muito a melhorar a situação do ensino público brasileiro, mas, infelizmente, os formuladores da política educacional brasileira não pensam assim e continuam discriminando quem quer e pode ajudar.

* Benjamin Ribeiro da Silva é presidente do Sieeesp- Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo – e-mail benjamin@einstein24h.com.br

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