Alzheimer – Parceiros do tratamento

Imóveis | 12/08/2011

A população idosa está aumentando e, com ela, a incidência de transtornos cognitivos, mais conhecidos como demência. Entre suas variadas formas, a mais conhecida é a Doença de Alzheimer (DA), que afeta a memória, atenção, concentração, raciocínio e linguagem, com comprometimento das atividades funcionais e da vida diária. Segundo a Associação Brasileira de Alzheimer, esta enfermidade corresponde entre 50% a 70% dos casos de demência, que atinge 5 a cada 100 pessoas com mais de 70 anos.

“É uma doença degenerativa de evolução lenta que traz uma triste realidade para o paciente e sua família, uma vez que, atualmente, não possui cura”, informa Cássio Bottino, psiquiatra e coordenador do Programa Terceira Idade (PROTER) – IPq HCFMUSP. “Apesar de tudo, existem tratamentos que podem ajudar a retardar os sintomas, proporcionando ao idoso uma melhor qualidade de vida”, pontua o especialista.

Familiares e cuidadores passam a ter a responsabilidade de garantir que o paciente de DA consiga levar a vida da forma mais confortável possível. Entretanto, muitos podem enfrentar algumas dificuldades nesta função. “Experiências demonstraram que, muitas vezes, os familiares acabavam optando por internar o parente doente em um asilo devido à impossibilidade de prestar assistência em suas casas. Mas a reabilitação, dentro das limitações impostas pelo caso, é possível de ser incluída na convivência diária com o paciente”, informa Bottino.

Entre os tipos de reabilitação direcionados ao paciente com DA existem: terapia ocupacional, que maximiza o desempenho para as atividades da vida diária; a terapêutica física, que se preocupa com a parte motora; a terapia da orientação para a realidade, que privilegia os aspectos cognitivos e intelectuais, memória etc; e a terapia ambiental1.

Terapias como essas e tratamento medicamentoso com inibidores da acetilcolinestinesterase, podem retardar de forma significativa o declínio da função cognitiva em pacientes com DA leve a moderada. Entre os medicamentos, o Eranz (cloridrato de donepezila) é o único indicado para todos os estágios. Quando iniciado já na fase leve da doença, durante o surgimento dos primeiros sintomas, o tratamento terá resultados ainda melhores. Contudo, o médico deve ser sempre procurado para avaliar e indicar o tratamento mais adequado para cada paciente.

De qualquer forma, uma vez diagnosticado o problema, é fundamental que a família seja parceira do paciente e do médico. “Existem formas simples de manter o idoso com a mente e o corpo ativos. Estimular jogos de tabuleiro, leitura de livros e jornais, palavras-cruzadas, aprendizado de outro idioma ou instrumento musical, caminhadas, e manter um convívio social ativo são algumas delas”, orienta Bottino. “Todos os pacientes, independente da fase da doença, merecem essas oportunidades terapêuticas”.

Tipos de reabilitação para pacientes com Doença de Alzheimer1

Terapia Ocupacional
Atividades culturais (leitura, aprendizado de outro idioma ou instrumento musical) e artesanais (pintura, trabalhos com argila e desenho). Com o objetivo de ajudar o paciente a viver melhor com suas próprias limitações, esta abordagem pode recuperar o máximo possível das funções perdidas, melhorando a auto-estima e tornando-o mais integrado à sociedade e independente possível.

Fisioterapia
Pacientes com demência podem ter sua mobilidade prejudicada. Prevenir contraturas articulares, mobilização das secreções pulmonares, encurtamentos musculares; manter a massa muscular para evitar atrofias, melhorar equilíbrio e marcha são alguns dos benefícios. O fisioterapeuta atua junto ao paciente e as atividades podem ser realizadas no âmbito familiar.

Terapia da Orientação para a Realidade
Conjunto de técnicas que visa combater a desorientação e os distúrbios da memória. Normalmente realizada em grupos, com o auxílio de material audiovisual, reforçando aspectos como datas, hora, nomes, fatos etc. O clima é dinâmico, com participação ativa dos pacientes que são questionados sobre seus nomes, nomes dos familiares, datas e fatos relevantes etc.

Terapia Ambiental
Muitas vezes, após o diagnóstico da DA, é comum que os familiares passem a tratar o paciente como se fosse uma pessoa que acabou de falecer ou um corpo apenas que necessita de higiene e alimentação, o que é equivocado, negativo, desumano, que afeta não só o paciente de forma contraproducente, como também toda a estrutura familiar. Existem maneiras de manter o paciente dentro do seu ambiente, com um mínimo de ocupação e algumas vezes exercendo atividades úteis nos afazeres domésticos, e com efetiva participação da vida em sociedade, à qual não deixou de pertencer.

Fonte: http://www.alzheimer.med.br

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