Consumo de sucos e refrigerantes: um risco maior para crianças e adolescentes
Nos últimos 20 anos, uma onda líquida inundou as gôndolas dos supermercados com repercussão sobre as despensas e geladeiras das residências em todo o mundo. Incorporamos à nossa dieta calorias extras, provenientes de iogurtes, sucos de frutas, bebidas de soja, chás e refrigerantes. São centenas de produtos líquidos com rótulos pouco elucidativos, escritos em letra miúda, com ingredientes difíceis de serem compreendidos até pelos profissionais da área de Nutrição.
Expostas a essa carga de líquidos de sabor doce, pessoas de todas as idades passaram a mudar seus hábitos, incorporando calorias, açúcares e adoçantes, em volumes jamais pensados. Resultado: as silhuetas saltaram para graus variáveis de sobrepeso e obesidade.
“Do ponto de vista nutricional, os refrigerantes são verdadeiramente calorias vazias, ou seja, não conseguem agregar à saúde das crianças e adolescentes - seus maiores consumidores – nenhum nutriente importante e adequado às necessidades nutricionais de crescimento e desenvolvimento”, defende a nutricionista do Citen Centro Integrado de Terapia Nutricional, Amanda Epifânio.
Se considerarmos que muitas crianças consomem um copo de refrigerante ou suco, em todas as refeições ou lanches (cinco copos ao dia), elas terão, em média, 550 calorias adicionadas às suas refeições, o que representa o valor calórico de uma refeição a mais durante o dia.
“Muitas mães se enganam ao supor que seus filhos comem de maneira mais saudável ao substituir os refrigerantes por sucos artificiais de frutas ou soja, pois esses dois últimos, muitas vezes, são mais calóricos do que os próprios refrigerantes, não preservam as propriedades nutricionais das frutas, e contém quantidades de sódio, corantes e conservantes muito semelhantes aos refrigerantes”, explica a nutricionista do Citen.
“Do ponto de vista da saúde, causa-nos muita preocupação o volume de adoçantes artificiais ingeridos precocemente e em quantidades muito superiores às recomendações dos órgãos de vigilância dos alimentos e dos profissionais de Nutrição. Isso ocorre quando optamos pelas opções lights dessas bebidas, na tentativa de prevenir ou até mesmo tratar a obesidade infantil”, alerta a endocrinologista Ellen Paiva, diretora do Citen.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, determinou a redução da concentração de dois adoçantes nas bebidas lights e diets: a sacarina e o ciclamato, principalmente pelo teor de sódio que estas substâncias agregam à bebidas. As empresas contam com três anos para se adequarem à nova legislação. O prazo final para implementação das modificações termina em março de 2011.