SOS Morumbi segue tendência global

Imóveis | 2/09/2011

Os moradores do Morumbi querem dar um basta na onda de violência que ronda o bairro. Além dos constantes assaltos, registrados diariamente, mansões e estabelecimentos comerciais tornaram-se alvo de quadrilhas que realizam os “arrastões”. Os ladrões rendem as pessoas, pegam tudo que conseguem carregar e fogem sem enfrentar resistência. A localização estratégica da região, com inúmeras rotas de fuga, torna muito difícil o patrulhamento policial.
Toda a indignação culminou na manhã de domingo, 28 de agosto, quando mais de 2.500 moradores se reuniram em um protesto na Praça Vinícius de Morais. O que todos queriam era muito simples: mais segurança. Esse é um direito da população e um dever do estado, que tem se mostrado ineficiente neste setor.
O movimento, batizado de SOS Morumbi, nome que destaca a urgência para a tomada de atitudes, segue a importante tendência das mobilizações populares que se espalham pelo globo. A população está cansada de não ser ouvida e, organizando através de novas mídias, sem um comando específico, está fazendo sua voz falar mais alto. Afinal, passou da hora de providências eficientes serem tomadas, em vez de medidas “emergenciais” e paliativas.
Enquanto é difícil combater e eliminar a violência, há diversos fatores associados a ela que, se melhorados, podem ajudar a contê-la. O trânsito, por exemplo, além de desgastar física e psicologicamente o morador, contribui para os assaltos. O motorista não tem para onde correr quando é abordado, por exemplo, no trajeto da Av. Giovanni Gronchi. Melhorar a qualidade das vias e criar um sistema eficiente que facilite a fluidez dos carros é primordial para diminuir a violência.
Outro ponto crucial, facilmente percebido à noite, diz respeito à iluminação pública. Ela já é naturalmente ruim em toda cidade, pois privilegia o caminho dos carros em vez dos pedestres. As diversas ruas mal iluminadas do bairro favorecem a ação dos ladrões, deixando-os mais seguros para agir contra pedestres, motoristas e até residências. Iluminar o espaço público é uma ação simples que coage atos contra o patrimônio público e privado.
Essas sugestões, entretanto, só serão plenamente eficientes se todos os distritos do Butantã se unirem na luta contra a violência. As áreas de Vila Sônia, Vital Brasil, Raposo Tavares e Rio Pequeno também precisam participar das mobilizações visando solucionar o problema da violência que, de maneira geral, é endêmico na região que compreende os cinco distritos da subprefeitura do Butantã.
O esforço conjunto dos moradores é o caminho mais eficiente para áreas urbanas mais seguras. Políticas públicas de longo prazo, que valorizem o desenvolvimento social e econômico das regiões, e medidas de infraestrutura que dificultem a ação dos ladrões são fundamentais para que as próximas gerações não precisem protestar pelo resgate de seu bairro.

*José Cássio Castanho é jornalista e morador do Morumbi.
Facebook: José Cássio Castanho

This movie requires Flash Player 9