Cardiologistas vão comprovar se enchente também mata do coração
A Sociedade Brasileira de Cardiologia – SBC – solicitou da Prefeitura de São Paulo um levantamento completo dos infartos, AVCs (derrames) e crises de hipertensão atendidos nos hospitais e postos de saúde da região do Jardim Pantanal, cuja longa inundação, que deixou centenas de moradias sob a água por cerca de dois meses, foi finalmente eliminada no dia 10/02.
A pesquisa conjunta da entidade, que reúne 12 mil cardiologistas brasileiros, e da Prefeitura de São Paulo tem o objetivo de comprovar a tese de médicos norte-americanos, de que um evento catastrófico como o terremoto do Haiti, o furacão Katrina e o terremoto de Los Angeles elevam em até três vezes o número de problemas cardíacos na população atingida.
“O gatilho dessas ocorrências é o estresse pelo medo de morrer ou pela perda dos bens materiais conseguidos durante toda uma vida de sacrifício”, explica o cardiologista da SBC, Sergio Timerman, que coordenou pesquisa semelhante, após as inundações e deslizamentos em Blumenau e organiza agora o estudo em São Paulo.
O especialista conta que, enquanto se registravam 20 mortes por infarto a cada mês na região de Blumenau, antes das enchentes, o total saltou para perto de 40 nos meses que se seguiram à catástrofe. Os médicos que trabalharam no estudo, Sergio Luis Zimmermann, de Santa Catarina e Maria Margarita Gonzalez acreditam, porém, que pode ter havido subnotificação no Brasil, já que em Nova Orleans, quando do furacão, as mortes cresceram 300%.
Para o presidente da SBC, Jorge Ilha Guimarães, o conhecimento atual deixa claro que não se pode pensar apenas em abrigar, alimentar e avaliar o risco da hepatite A e da leptospirose após as enchentes. “É vital que as equipes de resgate também se preocupem com o quadro cardiológico das vítimas”.
